A Família Moderna

   

Clarissa Bottega

Advogada e professora universitária

 

                  O conceito de família nos dias atuais vem tendo seus limites traçados por uma mudança de concepção acerca da palavra “família”, pois até pouco tempo atrás, o seio familiar era patriarcal, com domínio exclusivo do marido sobre a mulher que aparecia como um "ser" criado somente para cuidar do “lar” enquanto o marido servia como provedor material desse mesmo lar. Hoje em dia, após a libertação da mulher e com base nas legislações que acobertaram essa ânsia de liberdade feminina a mulher desempenha na sociedade moderna um papel tão relevante quanto o homem, talvez até, criando um certo desconforto no sexo masculino que se viu obrigado a reformular seus conceitos e papéis desempenhados na sociedade.

         Dessa forma, a família teve seus limites e formatos alterados profundamente, seus conceitos e os papéis desempenhados pelos entes participantes da família foram remodelados, não podendo o direito ficar alheio a essas mudanças.

          Fato importante a ser ressaltado é a questão da evolução científica pela qual passamos e estamos experimentando através de novas formas de concepção ou prevenção de filhos, a Internet como invasora de nossos lares, etc, e a família não ficaria alheia aos fatos novos, adequando-se e conformando-se com a nova realidade.

          A família, principalmente nos dias atuais, representa a célula básica para o desenvolvimento humano da pessoa, um local onde se vivenciam diversas experiências, uma zona de conforto e segurança do indivíduo para o desenvolvimento de sua identidade, com respeito, carinho, amor e compreensão.

          Em verdade, nos tempos atuais ainda mantemos certas resistências a aceitar essa nova configuração da família, porém, alguns doutrinadores já se dispõem a estudar outras formas de  "família" tais como: matrimonial, não-matrimonial, adotiva e monoparental, demonstrando assim um alargamento do conceito de família para abarcar outras relações que não só a tríade pai-mãe-filhos.

          Num estudo um pouco “legislativo” podemos facilmente perceber que a família prevista em nosso novo diploma civil é aquela formada pelo casamento (entenda-se homem e mulher), formada pela união estável (também homem e mulher) e as relações entre pais e filhos.

          Entretanto, não podemos nos olvidar, e muito menos pode o direito se esquecer, daquelas famílias que hoje se apresentam das mais diversas formas, tais como as famílias formadas por irmãos que vivem juntos, por avós e seus netos, por pessoas do mesmo sexo, pessoas estas que dividem o mesmo teto, trocam experiências, se respeitam, apresentam uma dependência econômico-financeira, e, principalmente, evidenciam o afeto, o amor e o carinho, sentimentos estes que devem estar presentes na constituição de uma família.

           Há que se ressaltar, por fim, que a palavra família tem sua origem no latim fâmulus que significa escravo doméstico, demonstrando assim a profunda alteração da significação e conceituação moderna da palavra família.