Professor(a) também chora.

   

Clarissa Bottega

Advogada e professora universitária

        

Pelo título o leitor poderia ser induzido a concluir que o presente texto seria um tanto quanto melancólico ou mesmo “chato” para se ler, mas na verdade o texto apenas quer lembrar que o(a) professor(a), esse ente fantástico, cheio de saber, intocável (!?), também é gente.
É isso que se pretende mostrar com o presente texto.
Alguns alunos pensam que o professor(a) é um ente intangível, imaculado, repleto de conhecimento e ao mesmo tempo de frieza e dureza.
Não!
Professor(a) também é gente.
Professor(a) chora, ri, tem dor de cabeça, fica doente, casa. É professor(a) também casa, tem casa, tem filhos...
Professor(a) sente. Sente fome, sente dor, sente frio, calor, sente vontade de fazer xixi...
Professor(a) dorme.
Professor(a) dorme ?? Aquele mestre de sabedoria, o poço de conhecimento, ele dorme ?? Mas tantas vezes ouvimos o professor dizer ao aluno que reclama não ter tempo para estudar: O que você faz da meia-noite às cinco ?? Bem, você eu não sei, mas o(a) professor(a) muito provavelmente dorme, mesmo porque sem uma boa noite de sono, não há sabedoria que resista.
Professor(a) também paga conta. Paga ?? Professor(a) também tem conta pra pagar, água, luz, telefone, aluguel, condomínio, impostos. É tanta coisa para pagar.
Professor(a) também trabalha. Trabalha ?? É professor(a) trabalha. Muitas vezes pensamos que o mestre já tem conhecimento suficiente e que não precisa fazer mais nada, aprender mais nada. Pobre do professor(a) que assim pensar....
O(a) professor(a) está em constante atualização (ou pelo menos deveria), ele estuda, participa de seminários, congressos, cursos, pesquisas, este ser chamado de “mestre” não é mestre ao acaso, ele se dedica, discute, aprende, sabe ouvir e falar na oportunidade certa.
Acostume-se: o(a) professor(a) não sabe tudo.
Não ?!
Não.
O(a) professor(a) não sabe tudo. Ele(a) está em constante atualização, mesmo porque atualmente estamos em constante mudança.  Vejamos, nossa era é pós-cibernética, voltada ao conhecimento global, pesquisada e experimentada, com novas tecnologias e novas oportunidades surgindo a cada dia novas tendências, novos comportamentos e novos conceitos até então desconhecidos (pensemos um pouco no impacto que a manipulação do DNA está trazendo à humanidade), dessa forma, impossível é saber tudo.
Na verdade o esforço do(a) professor(a) é trazer ao aluno(a) uma história (e sempre tem história) do conteúdo a ser abordado e mostrar ao aluno como agir hoje face aquele novo conhecimento, deixando sempre claro que estamos em constante mudança e que a mudança sobre aquele tema poderá ter um efeito a longo, médio ou curto prazo.
O(a) professor(a) deve ser sensibilidade para entender que, atualmente, no processo ensino-aprendizado, existe muito mais que a simples sala de aula, o quadro e as carteiras, existe um mundo de conhecimentos.
Assim, o(a) professor(a) deve se dedicar na missão quase que divina de ensinar, compreendendo os limites e necessidades prementes.
Voltando ao tema “professor(a) também chora”. Aproveito o ensejo para dizer que o(a) professor(a) não tem como saber o que está se passando pela sua vida pessoal. Se o seu cachorro morreu, se você bateu o carro, se descobriu que está sendo traído(a) ou se “pegou” uma virose, não desconte em seu professor(a), ele(a) efetivamente não sabe do que se passa em sua vida pessoal.
Atenção: o professor(a), definitivamente, não sabe o que se passa na vida pessoal de seus alunos(as), a não ser que esses alunos(as) contem ao professor(a). Essa informação é relevante e deveria ser lembrada todo início de aula.
Outra informação importante: O(a) professor(a) não persegue ninguém (pelo menos nesta parte falo por mim em particular).
Ademais, o professor(a) não tem a obrigação de lembrar de todos os  seus alunos, nem dos nomes de seus alunos, isso é fato. Alguns professores(as) são brilhantes além de saber “tudo” sobre a sua matéria ainda decoram o nome de todos os seus alunos(as), entretanto, não é o que ocorre com a maioria.
Lembre-se disso.
Feitas essas considerações, podemos dizer com clareza e firmeza: Professor(a) também é gente. E também chora.